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A quem interessar possa

terça-feira, setembro 27, 2005

Agora, numa linguagem que todo mundo entende

Bateu vontade e eu vou escrever mais sobre o assunto. Na verdade a inspiração veio na forma de um artigo da revista "catolicismo" distribuido por um amigo meu da PUC. O artigo é da autoria do Coronel Carlos Atônio E. Hofmeister do Exército de Cavalaria e Estado Maior. Ah, ele também é diretor da Tradição Família Propriedade. Não sei muito sobre essa organização, que tem na minha cabeça uma imagem próxima à da Ku-klux-klan ou da NRA (é, sou meio ignorante) e não vou fazer piadinhas com os caras, só por precaução, mas posso reproduzir os melhores momentos:

"Com efeito, a opinião pública brasileira, globalmente considerada, é católica. Os desmandos do progressismo - se afastou multidões das igrejas - não conseguiram fazer com que nosso bom povo deixasse de raciocinar em função dos princípios morais ensinados pela única igreja verdadeira, para distinguir o bem, o verdadeiro, o legítimo e o conveniente do que é mau, falso, ilegítimo e pernicioso"

Em seguida diz que juntando o V mandamento "Não matarás" aos "Não roubarás" e "Não cobiçar as coisas alheias", surge - tal qual o Capitão Planeta - um dever implícito de "(defender-se) dos criminosos providenciando portanto os meios mais eficientes para a legítima defesa (...)".

Cacete, agora eu entendi!!!! Quer dizer que quando Deus escreveu na pedra "Não matarás" ele estava na verdade dizendo algo como "matarás, se necessário, para defender a ti próprio e tua família", e só não o escreveu com todas as palavras porque faltava espaço na pedra, e pra bom entendedor meia palavra basta.

Aprendi assim que a Igreja Católica, da qual sinto uma crescente vontade de me desbatizar, é contra o desarmamento? O que fazem então os cartazes pelo desarmamento logo no andar de teologia da PUC?

Se Deus é contra ou a favor do desarmamento, esta é uma questão difícil de responder. Difícil responder, até entre os fiéis, se Deus toma partido em nossas discussões. Não raramente, exércitos inimigos rezam ao mesmo Deus antes da batalha. Se há uma religião com um ponto bem definido sobre as armas, não é a religião católica. Falo da mais antiga das religiões: A religião Jedi!

Afinal, o sabre de luz está para o Jedaísmo assim como a cruz para o Cristianismo, o Menorah para o Judaísmo e o iPod para o consumismo. Difícil entender o que há de tão profundo por trás do sabre de luz? Eu explico. Todos já se deram conta do absurdo que é o emprego de avançada tecnologia para desenvolver uma espadinha que brilha no escuro, enquanto poderiam usar armas de longo alcance, como as pessoas normais. Mas o Jedi não é um soldado, nem um aventureiro qualquer. O Jedi é um monge, um paladino do universo, e para manter o equilíbrio da força, ele deve afastar-se do ódio, da violência e de tudo que pode levá-lo ao lado negro. O sabre de luz pode ferir apenas aqueles que se aproximam para fazer o mal, ou refletir os tiros disparados por outros, mas não atirar por si só.

Ainda assim, na Federação, o uso dos sabres de luz é mais do que controlado. Não é qualquer mané que compra um na loja. Aquilo que os opositores do desarmamento não vêem, é que as armas de fogo são o lado negro da Força em pessoa. Matam à distância, por raiva, medo, ganância, acidente ou estupidez mesmo. Não servem para a defesa, pois até onde eu sei nenhuma arma te torna a prova de balas. Ou seja, se seu objetivo é defender a Tradição, a Família e a Propriedade, construa seu sabre de luz e se matricule na escolinha do professor Yoda.

sábado, setembro 24, 2005

Com a palavra: os imbecis

A única outra vez que eu me lembro de ter presenciado um plebiscito em escala nacional, eu era criança e não votava (não lembro exatamente o ano). Os brasileiros iriam decidir se o Brasil permaneceria uma república, adotaria o parlamentarismo ou voltaria à monarquia. Será que eu sonhei, ou isso foi verdade? Nós realmente tivemos que votar para que fosse eliminada a possibilidade de voltarmos no tempo e gastar somas milionárias por ano para sustentar uma família de socialites ociosos? Não, isso realmente parece ter acontecido, e eu me lembro das campanhas na televisão com jovens garantindo que, depois que a monarquia voltasse ao Brasil, só pintaríamos a cara pra comemorar. E, naquele tempo, eu nem via o quanto aquilo tudo era ridículo. Tinha um jingle que está colado na minha cabeça até hoje, era uma valsinha prometendo que o Brasil seria feliz para sempre.

Hoje estamos vendo um novo plebiscito se aproximar, opa, plebiscito não! Plebiscito é uma palavra difícil (isso denuncia o domínio do brasileiro em média sobre a língua portuguesa) e agora vamos chamar de referendo. Outra coisa ficou mais fácil, agora basta escolher entre sim e não, ninguém precisa nem pensar muito na hora de votar, basta fechar os olhos e imaginar que a pergunta é outra: "Você quer trocar uma bicicleta nova por um par de patins usado? Você quer trocar os patins por uma casquinha de sorvete de baunilha?". Não sei se alguém concorda comigo, mas acho injusto fazer com que o eleitor escolha entre "sim" e "não". As palavras sim e não têm uma carga intrínseca que nada tem a ver com a questão a ser decidida. As pessoas seguras de si se orgulham de dizer mais sim do que não. Tem gente que não sabe a hora de dizer não, e por aí vai. Seria mais justo escolher entre opção 382 ou opção 465, com três algarísmos, para que ninguém tenha preferência por um número ou outro. Se a escolha pelo pela simplicidade do 'sim ou não' é para não confundir o eleitor, creio que este eleitor não é capaz de decidir com responsabilidade.

Vimos a França dizer não em um plebiscito recentemente, e parece que a razão foi eles não terem entendido a pergunta. A pergunta era simples: adotar a constituição da União Européia ou não. Simples? Eu nunca li a constituição brasileira e não pretendo fazê-lo, não acho que seja diferente com os franceses. O que torna uma questão digna de plebiscito e outra não? Qual é o princípio do referendo? É permitir que, só dessa vez, o governo lave as mão e possa dizer "não reclamem comigo, foram vocês que escolheram!" O que determina que uma questão seja decidida por referendo e outra não? O que torna o povo competente para decidir sobre uma coisa mas não sobre outras? Se o referendo fosse uma maneira sensata de tomar decisões, não haveria razão para termos um governo.

Finalmente entro no assunto do estatuto do desarmamento. Por que este estatuto é tão importante (ou tão pouco importante, quem sabe?) para que nós tenhamos a palavra final? Não é algo que afetará a vida de todos? Aqueles que se opõe ao desarmamento argumentam que o referendo foi lançado porque (seus idealizadores) acham que vai passar, enquanto os que apoiam o desarmamento afirmam que o referendo não é nada além de uma última barreira da oposição para evitar que eles percam seus direitos de posse de armas.

Será que a moda vai pegar? Talvez então veremos referendos para a legalização do aborto, ou descriminalização (ou descriminação, façamos um referendo para decidir a forma correta) da maconha, ou união civil entre homossexuais ou mesmo a adoção de crianças por eles. Estas sim são liberdades de caráter individual que não representam necessariamente um perigo para aqueles que a elas se opõem. Devemos ou não controlar a vida dos outros em aspectos que não nos dizem respeito? Esta pergunta sim, gostaria de vê-la respondida por um referendo.

Mas o direito que me fará acordar mais cedo dia 23 (serei mesário) é o de possuir armas de fogo, e estas têm como principal característica o poder de ferir e matar até quem está a quilômetros de distância. Máquinas de fazer buracos em pessoas, e uma vez criadas, jamais deixarão de existir. Não sei quem disse "Deus criou os homens, as armas os tornaram iguais." (slogan da Colt ou smith & Wesson?) - faz sentido, mas quem ousaria dizer que as armas fizeram mais bem que mal à humanidade? E quem pode dizer que a simples proibição irá baní-las da nossa sociedade? Quem retirará as armas daqueles que se recusarem a entregá-las?

Com a palavra, os imbecis: Dos dois lados chovem a cada dia argumentos falaciosos, destinados a conquistar o voto das pessoas mais ingênuas. De um lado supôe-se que o fim da venda legal de armas reduzirá significativamente o número de homicídios por arma de fogo, ou cria-se um curioso paralelo entre as armas e a violência contra a mulher como se os homens violentos realmente precisassem de armas para reprimir e agredir a mulher.

Outros tentam me convencer (às vezes pessoalmente) que as armas são um direito fundamental do homem! Que o direito de se armar está ligado ao direito ao voto!! Que a colonização do Brasil só foi possível graças às armas de fogo (é, os índios que o digam)!!! E que quem não tem armas não tem coragem para impedir a violência contra a integridade de sua família e sua propriedade!!!! Que os bandidos se tornarão mais violentos quando tiverem certeza de que a vítima está desarmada!!!!! Que quem não gosta de armas certamente também não gosta de mulher e dirige mal!!!!!! E os pontos de exclamações só crescem em função da quantidade de mentiras em cada argumento, dando às armas um valor que elas nunca tiveram.

Se um lado se recusa a parar de mentir, e a mentira seduz as massas, difícil imaginar até que ponto as mentiras chegam. Cada vez que um lado tenta me seduzir com mentiras, eu me aproximo do outro, que me acolhe com mentiras maiores. E aí, com quem você vota? Com o charlatão ou com o loroteiro?

Não consigo ver o que há de errado com a verdade.

De um lado, basta dizer que:
- As armas legais são tão perigosas quanto as ilegais;
- Se uma morte for impedida já terá valido a pena;
- Se quem tem um celular legalmente raramente se recusa a usá-lo enquanto dirige só porque isto é ilegal, quem tem posse legal de arma também duvido que obedeça à lei e mantenha a arma em casa quando tomado pelo medo de assalto ou sequestro relâmpago.
- Quem tem uma arma não vai necessariamente ser mais rápido que o bandido.
- É preferível perder os bens a começar um tiroteio contra quem não tem nada a perder.
- O medo só alimenta a violência.
- Que a arma do "cidadão de bem" pode atingir o alvo errado.


Do outro, defendam que:
- O Brasil não é só o Rio de Janeiro.
- Há pessoas que precisam de armas para se proteger por estarem afastadas da civilização.
- A proibição da venda legal vai fortalecer o comércio clandestino.
- A grande maioria dos homicídios é auxiliada por armas clandestinas.
- A proibição da fabricação de armas vai criar uma dependência à industria estrangeira.

E por aí vai... certamente nenhum destes argumentos é perfeito ou seria aceito por todos, mas também não ofendem a inteligência de ninguém. Todas as medidas (ou quase) têm pontos positivos e negativos, a escolha é uma questão de prioridades. Enquanto isso, espero receber uma explicação oficial do estatuto do desarmamento e da legislação como ela está, para que ao menos eu possa escolher dar um voto consciente, já que não tenho o direito de não votar. Acho triste que em todas as eleições nós tenhamos que agüentar bombardeios de mentiras vindo de todos os lados. Parece que o poder de decisão da plebe serve a quem mentir mais. Isso tudo só me faz acreditar menos no meu voto, e ter a certeza de que ao votar estarei concordando com um imbecil ou com outro.

domingo, setembro 04, 2005

The rest of Belgium

God knows why it took me an awfull lot to publish the rest of my trip to belgium in june. Here it is. I loved Belgium so much that Brussels was one of the first cities I tried to check on google earth, but I got disapointed with the low resolution... Google earth has a lot to improve, Belgium doesn't. So it's really worth it to check personally or through my pictures.

Belgium has many beautifull things, but the best of it can't be shown in pictures. I hope I can visit this country again, there's a lot left to see and drink.


The officer ran through the bus wagging his tail, smelled something in a girl's bag, but apparently everything had already been smoked. Posted by Picasa


On the way back, our bus was stoped by the police and everyone was called out of the bus. Posted by Picasa


Beerfest with gael and family! The flavours of belgium Posted by Picasa


He has two girls with him, but if you look between his legs you can see he can't do much about it. Posted by Picasa


Ga�l Posted by Picasa


This is the park I wanted to check through Google Earth. The reason: the architect who designed it was a masson, thus he planned the garden in the shape of a compass, the simbol of masonry.;Posted by Picasa


what's that again? Posted by Picasa


Drug Opera is a bar like every other. But they served quak in a regular glass.  Posted by Picasa


The billboard says: "probably the best since 1950", I find it very honest that they say probably. Posted by Picasa


Bruxelles! Posted by Picasa


Rodenbach, love it or hate it Posted by Picasa


no comments Posted by Picasa


and girls girls girls Posted by Picasa


More waffles Posted by Picasa


La Meuse carrying charcoal Posted by Picasa


Did I become obcessed with animals drinking water? Posted by Picasa


well, I a church and a water fountain, not much to say about it. Posted by Picasa


This is not really le plat pays. Posted by Picasa


The palace of the Principaut� de Li�ge Posted by Picasa


In the hands of the clown. Posted by Picasa


Li�ge crowded for an electronic music festival Posted by Picasa


Ga�l's family made me feel very confortable.  Posted by Picasa


overpriced merchandising Posted by Picasa


The cathedral of brugges? Posted by Picasa


And some french, I mean, Belgian fries. With mayonaise, reminded me of a friend in Brazil. Posted by Picasa