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A quem interessar possa

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Esclarecimento

Venho me desculpar aos leitores (ainda tem?) pela tirinha publicada no último post. Não pela representação tosca de Jesus (com muita boa vontade dá pra identificar), mas pela falta de graça da mesma (sem falar na qualidade artística), acho que a partir de certa hora da madrugada tudo fica parecendo engraçado pra mim.

No fundo no fundo eu fiz a tirinha só pra ver se eu levo jeito para a coisa (hmmm... acho que já tenho a resposta) e depois não resisti à tentação de tacar um Jesus na parada e ver se meu blog entrava no centro de uma polêmiaca internacional. Aí eu me lembrei que já tinha publicado uma imagem de Jesus antes e nada tinha acontecido.

Tsc tsc, isso tá começando a ficar repetitivo.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Insultos

O Ocidente é maravilhoso, somos livres pra blasfemar e insultar quem quisermos, desde que não seja por raça, credo, origem, opção sexual... Pensando bem, nem somos mais tão livres assim. Mas o pai nosso garante: "perdoai nossas ofensas assim como temos perdoado a quem nos tem ofendido". Nossa religião nos absolve da pena por nossos insultos, contanto que não levemos os insultos dirigidos a nós mesmos muito a sério. Ninguém se ofende com nada e fica tudo certo.

Existe outra interpretação pra coisa: como nosso Deus não vai punir os desaforados, nós precisamos nos encarregar da punição nós mesmos. "Merda! Se aquele cara não se incomoda com um insulto, ele pode me desrespeitar e ainda assim ir pro Céu? Ah, porrada nele agora!". Daí talvez tenha vindo o lema "Não levo desaforo pra casa". Pensando bem, a religião não ajudou muito.

Mas insultar os outros faz bem! Nada mais relaxante que xingar a mãe do sujeito que te deu uma fechada no trânsito. Ele nos xinga de volta, e podemos concluir que um cara que responde desse jeito realmente é um babaca, e se não responde certamente é porque o babaca sabe o quanto está errado e calou a boca. Dever cumprido. A movimentação dos carros nos garante o anonimato (vidros escuros ajudam) e muitas vezes nem precisamos nos preocupar com a reação do outro. Continuaremos nos insultando enquanto tivermos certeza da impunidade, e continuaremos retaliando cada insulto enquanto tivermos certeza de que venceremos a briga (se alguém se dispor a perder tempo começando uma). É mais uma questão de controle de risco que de princípios. Até os mais valentes são capazes de fazer a escolha entre levar um desaforo ou levar uma bala.




O chato é quando insultamos um amigo por acidente. É então que nos deparamos com algumas soluções alternativas:

1- Correção:

Nunca funciona, parecemos bobos, covardes, rudes e sem palavra. É constrangedor.

- Esses taxistas são todos uns...
- Meu pai é taxista, porra!
- Er...Bem, eu disse que todos esses taxistas, aí na frente... Não todos no mundo, só esses aí... éeeee... Ah! Você vai no jogo do América na segunda?


Guardamos o inimigo, e ainda ficamos com cara de palhaço, totalmente derrotados.

2- Desculpas:

Ligeiramente diferente, existe uma dose maior de humildade, uma certa nobreza em reconhecer o erro. Parecemos bobos, covardes, rudes e sem palavra, mas humildes. Ainda assim fica deselegante, e humildade sem elegância nem sempre é vista como virtude.

- Esses taxistas são todos uns...
- Meu pai é taxista, porra!
- Po, desculpa... É, eu estava sendo preconceituoso mesmo, foi mal, vou parar de falar essas coisas.
- ...
- ... Ah! Você vai o jogo do América na segunda?
- O quê? Só porque meu pai é taxista você acha que eu torço pro América?!
- ai cacete...


3- Persistir no insulto:

A mais rude e mal intencionada de todas. Rude, mas com convicção! Não gostou? Sinto muito, é o que eu penso, e com razão! O importante é não se deixar abalar. Com treino pode-se chegar a excelentes resultados. Muito provavelmente será o fim da amizade, mas se a amizade persistir fica claro quem manda em quem.

- Esses taxistas são todos uns...
- Meu pai é taxista, porra!
- É por isso que tu dirige mal então!
- porra...
- Ah! Jogo do América segunda! Fechou?
- é, fechado...


Mas o que importa é que todo insulto é uma forma de violência, acidental como um pisão no pé ou intencional como um tapa. E muitas vezes o tapa é justamente o que se segue. Muitas vezes a solução adotada é deixar o negócio chegar aos tapas, na certeza de que vão apartar a briga antes que alguém se machuque de verdade. Como em geral, depois da separação, os dois lados se vêem como vencedores, a situação se resolve sem grandes danos ao ego. Se não houver a separação, ninguém vai se lembrar de como começou a briga mesmo. O insulto inicial é um detalhe de pouca importância.

É difícil saber o tempo todo quando nossas opiniões poderão insultar alguém. Na comunicação entre humanos não há limites para a interpretação e distorção. Até que ponto devemos abrir mão de nossos princípios e convicções em nome da convivência pacífica? No fundo é tudo realmente uma questão de controle de risco. Quanto valem os nossos princípios e quanto vale uma opinião? Vamos descobrir em pouco tempo.