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A quem interessar possa

domingo, fevereiro 25, 2007

O paradoxo das jacas

Groucho Marx disse uma vez que se recusaria a entrar para qualquer clube que o aceitasse como membro. Além dessa frase não conheço mais nenhuma obra dele, e sinceramente demorei um tempo para achar graça nesta declaração. Só consegui achar alguma graça quando percebi que isto realmente acontece. Um bom exemplo é o Paradoxo das Jacas.

Você já comeu jaca? Só quem já comeu jaca pode me sacanear pela minha teoria, vou explicá-la aos menos cultos. As jaqueiras são quase uma praga no Rio de Janeiro, podem ser encontradas fazendo sombra em quase qualquer lugar onde se possa estacionar um carro. Mas ao contrário do jamelão (a fruta roxa, não o sambista), as jacas além de cagar os carros e botar a vida humana em risco é uma fruta comestível, e aparente mente muito saborosa. Eu nunca comi jaca, provavelmente você também, mas o seu porteiro já deve ter comido. Pelo menos metade dos ascensoristas na PUC já devem ter experimentado. Para comer uma jaca é preciso boa dose de humildade.

A jaca tem fatores repulsivos: É feia, grande, difícil de pegar e abundante, logo, barata. Por ser grande, ninguém come sozinho. É preciso uma família muito grande para comer uma jaca inteira antes que esta estrague. Por ser feia, ninguém está disposto a levar um pedaço de jaca para casa, e ao ver um pedaço se sentirá pouco tentado a experimentar. Por ser difícil de pegar repele aqueles que se sentem atraídos a provar tudo que é de graça, e trepar uma jaqueira não é uma atividade tão atraente para as crianças quanto subir numa goiabeira, além de ser difícil imaginar uma criança descer de uma árvore carregando uma jaca. Adultos, mais aptos a carregar o peso de uma jaca, não são mais tão propensos a subir em árvores.

Pelos fatores que descrevi acima, tenho certeza de que nunca vou catar uma jaca na árvore, e pela abundância de jacas dando bobeira por aí, nunca hei de pagar por algo que eu encontro por aí de graça. Portanto, nunca hei de comer jaca. Se alguém um dia me oferecer e eu não aceitar, não tem saída: será frescura mesmo. Mas só pode me chamar de fresco quem já comeu jaca.

"Nós todos somos marionetes, a diferença é que eu sou uma marionete que vê as cordas" (Dr. Manhattan - Watchmen)
"Mulher bonita é como melancia: ninguém come sozinho" (sabedoria popular)

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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Voltei?

Já deve ser o terceiro post no qual eu apenas anuncio que vou voltar a escrever e nada mais. Vamos ver se dessa vez eu consigo levar isso adiante.