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A quem interessar possa

sexta-feira, março 02, 2007

Pra não dizer que não falei do iPhone

Numa sala de reuniões da sede da Cisco Systems em San Jose, Califórnia, reúnem-se dois dois executivos e um engenheiro.

SR. A: Senhores, precisamos contra-atacar. Quero anunciar um produto para concorrer com o iPhone até o fim deste ano.

Engenheiro: Anunciar? E quando vamos lançá-lo?

SR. A: Eu disse que precisamos anunciá-lo até o fim do ano, não mude de assunto.

SR. B: Precisamos de um nome.

SR. A: Precisamos de um slogan.

Engenheiro: Preciso de um café.

SR. B: Que tal “iPhone +”

Engenheiro: Este nome não foi registrado pela Apple?

SR. A: Não, nós registramos muito antes deles, lembra? Mas acho que devemos esquecer este nome.

SR. B: Deixaremos a Apple usá-lo?

SR. A: Claro que não, vamos processá-los até eles decidirem que sai mais barato encontrar um outro nome igualmente gay.

Engenheiro: Algo como iTalk?

SR. B: Gostei desse!

SR. A: Ótimo, vamos registrá-lo!

Engenheiro: Bem, então nosso produto se chamará iTalk...

SR. A: Claro que não, vamos registrá-lo para impedir que a Apple o use. Assim forçamos a Apple a criar um nome ainda mais gay. Precisamos criar um nome que tenha a nossa cara.

SR. B: O que há de errado com nomes gays? A Apple vem usando há um bom tempo e tem funcionado. iMAC, iBook, iPod...

Engenheiro: ... Mas quando foi que passamos a concorrer com a Apple mesmo?

SR. B: Acho que foi quando eles roubaram o nome iPhone.

SR. A: Não, foi quando percebemos que não poderemos comprá-la.

Engenheiro: Ei, quais funções nosso produto deveria ter?

SR. B: Hmm, acho acho que “talkBuddy” seria um bom nome...

SR. A: ... Terá todas as funções do iPhone.

Engenheiro: O iPhone ainda nem foi lançado. Não há garantias de que ele realmente terá todas essas funções!

SR. B: Como assim? Já lançamos o iPhone CIT e o WIP.

SR. A: Droga, B! Estamos falando do iPhone da Apple!

SR. B: Mas esse nome é nosso! Nós registramos!

Engenheiro: É, acho que realmente devemos esquecer este nome, está criando confusão demais.

SR. B: E como vamos chamar o iPhone da Apple?

SR. A: OK, então a partir de agora chamaremos o iPhone da Apple de “aquele outro”, e continuaremos chamando o nosso iPhone de iPhone.

SR. B: Então nosso novo produto terá as funções do iPhone ou daquele outro?

SR. A: Pense, B! Por que lançaríamos um novo produto com as mesmas funções de um produto que nós já estamos vendendo?

Engenheiro: Pensando bem, a indústria automobilística fez isso por décadas...

SR. A: Agora é você?! São as funções do outro, não o nosso, DAQUELE OUTRO, está claro?!!!

Sr. B: Nossa, mas são muitas funções, muitas mesmo: Abridor de garrafas, barbeador, granada de mão... viram aquele vídeo?

Sr A e Engenheiro: Aquilo era uma paródia...

Sr. B Então quais são as funções de verdade?

SR. A: Toca vídeos, música, lê e-mails, navega pela internet, roda aplicativos em Java, tem tela sensível a toque em vez de um teclado.

Engenheiro: E o que há de tão inovador e surpreendente nisso? Já há produtos com todas estas funções no mercado e eles não vendem bem por serem muito caros. Você quer encarecer ainda mais, o que levaria as pessoas a comprá-lo agora?

SR. A: Ele será preto!

Sr. B: Eu prefiro o branquinho...

Engenheiro: Ok, vamos deixar estes detalhes para mais tarde. Em suma, será um PDA com HD de trocentos GB, tela de alta resolução com aspecto 16:9 sensível ao toque, câmera digital e telefone celular.

SR. A: Basicamente, tem outras frescurinhas que poderiam agregar valor, vou deixar esta bobagem com nosso amigo aqui... Na verdade, Sr E., te chamei para nos explicar em que rede ele deveria funcionar: Uma rede celular 3G ou numa rede WiMAX?

Engenheiro: Bem, as diferenças são sutis... As tecnologias 3G usam a infraestrutura da rede de telefonia celular para enviar dados por IP a altas taxas, mas ainda não estão muito desenvolvidas pelo mundo.

SR. A: Não gostei, e o WiMAX?

Engenheiro: O WiMAX é uma rede de acesso celular para dados, que pode prover serviços de telefonia usando voz por IP.

Sr. B Uau! Bem melhor!

SR. A: E já há uma infra-estrutura desenvolvida à disposição?

Engenheiro: Bem... também não.

SR. A: Não importa, precisamos anunciar logo. Estes detalhes técnicos serão resolvidos mais tarde, a Apple vai enfrentar os mesmo problemas que nós.

Engenheiro: Certo, e o que faremos com o nosso iPhone?

Sr. B Planejávamos lançar uma versão preta, que tocasse música e vídeo com tela widescreen sensível a toque, lesse e-mails, navegasse na internet e sem teclado, mas acho que será cancelado. Um aparelho com todas essas funções ficaria muito caro e não há mercado para isso atualmente.

Engenheiro: Faz sentido...