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A quem interessar possa

sexta-feira, maio 30, 2008

Índios

E agora?

O que fazemos a respeito disso?

  1. Nada
  2. Sobrevoamos a região e largamos uma garrafinha de coca cola?
  3. Mandamos um lote de espelhinhos e uns shorts da Adidas para eles irem se acostumando?
  4. Mandamos uma equipe de índios mais safos para ensinar-lhes a bloquear estradas e invadir escritórios públicos?
  5. Confiscamos terras particulares para transformar em reserva ou fazemos eles dividirem as reservas da tribo vizinha?
  6. Largamos um monte de revistinhas da Mônica e esperamos quanto tempo eles levam para desenvolver um novo sistema de escrita.
  7. Vamos poupar trabalho e ensinar-lhes logo a plantar arroz, só para evitar problemas mais tarde.
Não sei se neste exato momento tem uma equipe na Funai discutindo isso. Eu, particularmente tentaria ensinar algum deles a ler e entender inglês e lhe daria um exemplar de "Guns, Germs and Steel".

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segunda-feira, maio 26, 2008

Aborto

Como eu não encontro assunto para preencher meu próprio blog, aproveito para recomendar um dos melhores textos de opinião que eu já tenha lido sobre a questão do aborto (exceto pelo trecho referente à síndrome de Down, mas por isso mesmo escapa do politicamente correto e ganha pontos pela sinceridade). Foi provocado por este outro, também muito coerente e com visão radialmente oposta. E fica clara que a única razão que justifica uma discussão sobre o aborto é a questão eternamente sem resposta absoluta -- do ponto de vista científico -- se trata-se ou não de assassinato, porque o conceito de assassinato pode ser relativizado de várias formas (Converse com esses malucos aqui, paradoxalmente muitos deles defendem o aborto, vai entender). O que define um ser humano? É o coração que bate? É a parte do cérebro responsável pela consciência? É a alma imortal ou a perspectiva de uma vida inteira pela frente? Se pudermos um dia emular um cérebro humano em um computador, será crime encerrar este programa?

Eu sou pessoalmente contra se o feto em questão for um filho meu. Se o filho não for meu (e eu não tenha disposição a adotá-lo, e o aborto seja feito respeitando normas quanto ao tempo de gestação e com o consentimento dos pais), não vejo como eu poderia ter algo a ver com isso.

Se uma mulher que planeja ter apenas 2 filhos faz um aborto numa época em que não está disposta a ter filhos, ela está assassinando seu primogênito ou garantindo a vida do caçula? Pode parecer absurdo atribuir direitos a uma vida que nem sequer foi concebida, e é igualmente absurdo conferir direitos humanos a um conjunto de células desprovidas de sistema nervoso. O sistema nervoso já está projetado nos genes? Bem, o planejamento familiar desta mãe hipotética também está projetado, talvez sem todo o rigor presente nos genes mas os genes também não estão livres de imprevistos.

domingo, maio 04, 2008

Lembre-se de abaixar a escada

Quando um filme de terror vagabundo te deixa pensando em determinado assunto por um dia inteiro, acho que isso dá assunto o suficiente para um post. Anteontem vi o filme Mar Aberto 2 -- Open Water 2: Adrift, lançado sem o prefixo na Europa para evitar o estigma de continuação caça níqueis (Aliás, o filme não é continuação de Mar Aberto, o número 2 é só para atestar a vocação para caça-níqueis mesmo) -- e não posso dizer que é um filme que vai sumir da minha memória.

O enredo é uma lenda urbana (ou melhor, lenda náutica) manjada por quem sabe o que é um Lais de Guia ou já cassou um burro. Um grupo passeando de Iate em mar aberto resolve dar um mergulho, mas nenhum deles se lembrou de abaixar a escada. Morreram todos. "Por isso, meu filho, certifique-se sempre de que há uma escada", é o que ficou na minha memória depois que meu pai me contou essa história, apesar dele nunca ter usado estas palavras. É claro que ninguém sabe o que realmente aconteceu com este grupo, já que ninguém ficou para contar a história, mas eu sempre pensei que daria um bom filme. Não deu.

As vítimas do filme são um grupo de 5 amigos de escola chegando aos 30 anos e a peguete de um deles. O primeiro desafio seria inventar uma forma plausível de mostrar 6 pessoas num barco e nenhuma delas ser um chato medroso obcecado por segurança como eu. Nesta tarefa o filme tem sucesso, mostrando que basta o dono do barco ser um idiota que tem a confiança dos demais.

O segundo desafio é um pouco mais difícil, mostrar que é impossível -- para um grupo de 6 pessoas normais -- erguer alguém a 1,50m para conseguir montar a bordo. Quem já viu uma apresentação de nado sincronizado vai dizer que é possível, mas não estamos falando de atletas treinados, e sim de pessoas desesperadas das quais apenas uma foi inteligente o bastante para vestir um colete salva-vidas. Infelizmente nenhuma das táticas que uma pessoa de inteligência mediana poderia conceber é usada no filme.

Quando surge a idéia genial de fazer uma corda com as roupas de banho, quem é escolhido para escalá-la? O brutamontes de 90Kg ou sua peguete anoréxica? Nenhum deles pensa em pezinho ou pirâmides, não que isso fosse funcionar, apenas para provar que essas idéias (ou uma combinação esperta delas) não funcionariam. A burrice dos protagonistas é tão frustrante, que inspiraria os espectadores mais incautos a reproduzir a tragédia por conta própria só para testar as próprias idéias.

Outro problema são as mortes estúpidas. Hipotermia, desidratação, câimbra, ataque cardíaco, fadiga... nenhum destes problemas é o suficiente para matar qualquer dos imbecis à deriva. Nem sequer o dilema entre deixar o amigo se afogar ou segurá-lo à custa dos próprios esforços é explorado decentemente. É preciso recorrer aos temas mais dramáticos do suicídio, brigas ou manobras estúpidas para mandar cada um deles para o céu.

Finalmente, o filme termina e eu fico esperando que apareça alguma explicação sobre o evento real que inspirou o filme. Nada, apenas as manjadas palavras "Based on true events". Eu passei alguns minutos valiosos da minha vida buscando informações que confirmem a história e só encontrei uma menção de que isto teria acontecido no Mar Adriático na década de 70. É uma pena, porque eu já passei pela situação de contar esta história para outros, anos atrás, e nunca consegui encontrar fontes que confirmassem a veracidade. Talvez seja apenas uma historinha que velejadores mais experientes contem para alunos da escolinha de Optimist.

Agora me resta apenas lamentar que ninguém mais pensará em fazer outro filme que explore melhor este tipo de situação.

Para quem gosta de filmes de terror, tem um bom site com críticas do gênero, que também espinafrou Adrift

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