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A quem interessar possa

quarta-feira, outubro 29, 2008

Golpe pró-democracia?

Surgem, depois da decepcionante derrota de Gabeira, algumas manifestações populares lamentando o resultado das eleições. Uma delas (O Rio Sem Gabeira), justíssima a meu ver, é o tipo de coisa que deveria acontecer mesmo que o Gabeira fosse eleito. Eu não tenho dúvidas de que o Gabeira como prefeito não conseguiria cumprir metade do que apresentou como proposta (ainda assim eu me orgulho de ter votado nele), assim como qualquer político. Falta ao eleitor esse tipo de cobrança, especialmente dos que votaram no candidato eleito. Infelizmente só os eleitores da oposição costumam cobrar competência dos governantes, e isso contribui para a podridão dos políticos de forma geral.

A outra me deixou estarrecido. Trata-se de uma mesquinhez que costuma ser vista apenas no futebol. Alguns eleitores indignados com o resultado se juntam, fazem uma cumunidade no orkut se dizendo um movimento pró-democracia reivindicando a impugnação do resultado das eleições e organizam uma passeata deixando claro que "é para parecer um movimento apartidário e apolítico".

As ra

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terça-feira, outubro 28, 2008

O Dilema do Liberal

É uma pena que Sergio de Biasi escreva tão raramente n'O Indivíduo . Ele começa falando da falência da URSS, mas acaba tocando numa questão muito mais importante. Para quem é verdadeiramente responsável, não basta ter certeza de se estar no lado certo. É preciso ter certeza de se estar no lado certo pelas razões certas, ou estar certo de ter certeza de se estar no lado certo pelas razões certas . Deu um nó na cabeça? Desculpe, o que realmente está em jogo é se o idealismo é fútil diante do pragmatismo ou se o pragmatismo de nada vale sem um ideal digno de ser seguido.

Eu mesmo pensava que o pragmatismo deveria vencer tudo, mas agora ele conseguiu me convencer do contrário. Isso é assustador, porque se nossas convicções forem ultimamente baseadas em idealismo fica muito mais difícil provar que um ideal é mais nobre que outro. Provar a superioridade do liberalismo ao socialismo na prática usando apenas os fatos estava fácil demais.


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domingo, outubro 26, 2008

CHDK

Minha mulher decidiu trocar substituir sua câmera digital antiga que tinha ido para as cucuias. Trocamos por uma Casio ridiculamente pequena com todas os recursos automáticos que praticamente dispensam o fotografo de usar o cérebro. Fiquei feliz por isso, mas não pude deixar de sentir pena de minha Canon antiga.

A história da minha primeira câmera digital está quase inteiramente presente neste blog. Paguei por ela um preço mais alto que o normal porque era um comprador inexperiente e a comprei no verão -- quando os preços disparam. Era uma câmera trambolhenta que usava 4 pilhas AA, tinha 3.2Mp e muitas funções manuais que cheguei a explorar apenas um pouquinho. Também permitia o uso de lentes alternativas (naquela época eu imaginava que aprenderia rápido o bastante para começar a usar outros tipos de lente).

Depois de 3 anos de uso ela desenvolveu um defeito no CCD (a retina das câmeras digitais) e -- tratando-se de um defeito de fabricação -- pude trocá-la por uma nova de 5Mp. No entanto, ao fazer a troca, não percebi que o modelo da substituta era inferior à antiga. Apesar da alta resolução, a Canon A530 que foi oferecida pela Assistência Técnica após 3 semanas de espera não permitia troca de lentes nem tinha a gama de recursos da anterior. Óbvio que a esta altura eu já tinha percebido que nunca iria comprar lentes auxiliares, mas como era um recurso adicional, eu senti que tinha sido garfado. Além disso, o encaixe de tripés da A530 fica bem longe do centro de gravidade, o que faz a câmera se desequilibrar quando uso o meu pequeno tripé para fotos com timer.

Agora, com a chegada da irmãzinha, tinha ficado claro que eu nunca mais iria querer usar trambolho da Canon. Até que por acaso descobri o CHDK. CHDK é a infame sigla para "Canon Hacker Development Kit". Trata-se de uma atualização do firmware das câmeras Canon que traz funções antes restritas aos modelos mais caros. Com isto ganhei de volta as funções que tinha perdido com a substituição e ganhei acesso a outras. Falta agora saber se eu terei saco de aprender a usá-las.

Também estou curioso para ver qual será a reação da Canon a este fenômeno (ainda não se fala muito disso na "internet brasileira", mas fóruns de fotografia já começaram a comentar o pacote). Por um lado é vantajoso porque faz uma tremenda publicidade das câmeras Canon entre os usuários que querem pagar pouco, por outro lado pode acabar desestimulando a compra de modelos mais caros que têm como único diferencial algumas funções a mais.

Aqui estão uns links que explicam tudo melhor:

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quarta-feira, outubro 15, 2008

Thundercats WHOA!

Thunder, Thunder Thundercats ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOU
Eu achei essa imagem muito desagradável, e junto com o apoio da Jandira Feghalli ao Eduardo Paes ela me convenceu de uma vez por todas que o meu voto é de Fernando Gabeira. Tudo bem, é importante que exista uma cooperação entre as diferentes camadas do poder público, mas daí a fazer pose de Thundercats e reuniões teatrais filmadas exclusivamente para fazer campanha política é demais. Além disso, me lembra essa imagem aqui, essa sim me dá pesadelos!


Faltam Mao, Fidel e Pinochet



Atualmente, para falar de campanha eleitoral nos mesmos termos que o Rego, o que se salva na campanha do Eduardo Paes é a música. O jingle de campanha dele é de longe o melhor.



PS: Por que votar no Gabeira? Isso merece outro post, que eu nem sei como poderia escrever. Por enquanto apenas a forma como ele conduziu a campanha já fala por si só.

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segunda-feira, outubro 13, 2008

Curiosa interseção

Será que ontem teve gente indo parar no evento errado?


  1. - Papai, papai, aqueles moços tão brigando?
    - Não, meu filho, é o padre abençoando o outro moço.
  2. - Vem cá, meu bem! Tá correndo de quê?

terça-feira, outubro 07, 2008

O Problema Em Ser Mesário

Tentei ontem ilustrar o cenário grotesco que é a servidão compulsória e não remunerada numa dita democracia. Não funcionou. Se alguém chegou a ler, a conclusão final foi a de que eu não gosto de ser mesário e estou mal-humorado por causa disso. Não é isso.

Não acho horrível ser mesário. Todas as vezes que fui convocado eu cumpri todas as minhas funções com louvor, ou não teria sido nomeado presidente da mesa. Talvez se eu tivesse feito um péssimo trabalho, levando os eleitores a se queixar com o TRE, eles concluíssem que eu não sirvo para a função e me dispensassem no pleito seguinte. Não foi o que aconteceu, eu segui à risca todas as minhas atribuições apesar de todos os incentivos contrários. Os funcionários do TRE não querem castigar ninguém, eles querem apenas resolver o problema da forma mais eficiente possível.

Eu sou contra o voto obrigatório, mas voto todos os anos e votaria mesmo se fosse opcional. O que está em jogo é a liberdade do cidadão. Em Manaus os mesários faltaram em massa e os cidadãos convocados entre os eleitores se recusaram a substituí-los. Eu nunca faltaria à minha seção sem aviso prévio porque sei o transtorno que isso causaria aos demais mesários e eleitores, e acho que os mesários que faltaram devem ser punidos em respeito aos que cumpriram seu papel. Não punir os mesários faltosos seria chamar de otários os mesários que compareceram.

No entanto, o que faz os eleitores convocados na urna pensarem que não é dever deles substituir o mesário faltante? Óbvio que é, e os eleitores que se recusarem a trabalhar devem ser processados com o mesmo rigor que os mesários convocados. Se servir às eleições é um dever cívico de todos (e não de algumas pessoas em particular), então todos devem estar preparados para cumprí-lo, não só aqueles que tiveram o azar de serem escolhidos previamente.

Se você discorda do parágrafo anterior, parabéns! Você acabou de entender por que o trabalho de mesário deveria ser facultativo ou remunerado. Se ainda não se convenceu, então acha que os competentes nasceram para servir e os incompetentes para serem servidos. I.E. vá à merda!

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Os escravos da democracia

Como foi o seu domingo? Ficou triste porque o tempo estava ruim e não deu para aproveitar a praia? Ficou assistindo televisão, lendo ou dormindo? Mesmo que você tenha estudado ou adiantado o próprio trabalho o dia inteiro, você pode se considerar sortudo: você não estava trabalhando de graça para um sistema no qual você não acredita.

Esta foi a terceira vez que eu fui mesário, e a primeira vez na qual eu fui o presidente da mesa. Deve ser a única, pois acredito que depois de três vezes (i.e. três anos de eleições, o segundo turno não entra na conta) adquirimos o fantástico privilégio de não aceitar o convite. Não tenho nenhuma repulsa em particular por este trabalho, o que me incomoda é a situação grotesca que fica clara depois que se é mesário.

Primeiramente: é um trabalho escravo. Ninguém me chicoteia e existem trabalhos piores, mas nada disso muda o fato de que eu estou sacrificando o meu domingo sem remuneração e sem escolha. Ao contrário do que a propaganda institucional diz, o mesário não trabalha para a democracia, não trabalha para o povo: o mesário trabalha para o TRE, ou de uma forma mais geral, para o poder judiciário. Se você tiver uma empresa cujos funcionários estão sobrecarregados durante uma certa época do ano e precisar de pessoal adicional, você não pode pedir que alguém trabalhe de graça para você (ameaçando tomar-lhe o passaporte caso ele se recuse), isso dá cadeia! Quer trabalho temporário? É bom você preparar os bolsos. O poder judiciário existe justamente para garantir os seus direitos à liberdade e ao trabalho digno, mas eles próprios podem abrir uma exceção porque acreditam que o trabalho deles é mais importante que o seu.

Outra questão que é cômica se pararmos para pensar por alguns segundos: eles podem me dar uma justificativa que obriga meus empregadores a me cederem um dia de folga remunerada. Meu pai chama isso de "dar bom dia com o chapéu dos outros", não existe descrição melhor. Se o Judiciário reconhece que eu preciso de repouso, ou alguma forma de reparação superior ao luxuoso vale de R$15,00 (é, aumentou) por que nunca ocorreu a eles remunerar o mesário? O trabalho só deve ser remunerado quando é para a iniciativa privada? Se os convocados fossem todos funcionários públicos a situação seria mais justa, mas por alguma razão insistem em convocar gente de fora do funcionarismo público. Será que posso pedir extensão de um dia no prazo de entrega da minha dissertação de mestrado?

A remuneração digna --- ou seja, algo acima do dobro da diária do salário mínimo por tratar-se de um fim de semana --- dos mesários por si só já tornaria o processo mais justo. Além disso, teríamos a possibilidade de tornar o trabalho realmente voluntário e dar aos convocados a opção de não servir: algumas pessoas se interessariam em ser mesário e trabalhariam com mais disposição, de olho na oportunidade de serem promovidos nas próximas eleições. Sim, o pagamento deveria ser proporcional à responsabilidade do cargo. Imagine se um presidente de mesa perde o disquete ou algum comprovante? Pode até resultar em suspeitas de crime eleitoral.

O mais impressionante é que tem gente que pensa que é assim. Como minha seção ficava mais próxima da entrada que as demais, todos os eleitores que precisavam justificar ausência nas urnas se dirigiam diretamente a mim. Evidente que meus formulários acabaram mais rápido. Como é possível justificar em qualquer seção, não me dei ao trabalho de buscar mais formulários e deixei as outras seções fazerem seu trabalho também --- e, claro, continuei aceitando as justificativas dos eleitores que chegavam com formulários já preenchidos. Eis que em determinado instante uma senhora me diz intrigada: "Mas vocês têm obrigação de ter formulários, vocês têm que ir buscar mais!". Para não rir nem ser agressivo demais, eu respondi com toda a calma que consegui encontrar "Não, nós não temos esta obrigação. Traga o seu formulário preenchido que eu aceito. E se quiser buscar mais talões pra mim eu não vejo problema". Infelizmente a senhora não se dispôs a me fazer este trabalho voluntário. Ah se eu pudesse convocar qualquer eleitor para trabalhar comigo na mesa...

E aí? Algum deputado já se interessou por este assunto?

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quinta-feira, outubro 02, 2008

Maldito teclado, maldito vista

Minha sogra voltou de viagem com um laptop ingl^es e o resultado 'e este que voc^es podem perceber. Estou tentando resolver o problema para ela e lembro que tamb'em tive que adaptar o meu laptop com teclado americano para aceitar acentos, mas no meu caso o sistema era o Windows XP e o teclado era "US". No XP eu lembro que era relativamente simples ativar "US - International with dead keys".

No Vista eu mudei a configuracao na secao "Regional and Languages" ativei Language: Portuguese (Br) e keyboard layout (Uk extended). Cheguei a mudar o "System Locale" (em Regional and Language options) para "Portuguese (Brazil)" e nada. Esperava que ap'os reiniciar o computador eu poderia escrever um post triunfante mostrando ao resto do mundo como resolver isto, mas parece que este post triunfante ficar'a para mais tarde.

PS: Como consolo consigo mudar o teclado para o brasileiro momentaneamente e colocar os acentos lembrando onde eles ficam no teclado brasileiro (neste caso as dead keys funcionam). Mas usar isso já é chato por ter que teclar às cegas (e na memória dos dedos), e ainda pior é convencer a minha sogra a fazer isso.