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A quem interessar possa

terça-feira, setembro 29, 2009

Sobre Blumenau

Voar sobre São Paulo (Congonhas) é como um google Earth ao vivo. Entre o interruptor das luzes de leitura e a campainha dos comissário, procurei um botão para mostrar o nome das ruas, não tinha. Ô aviãozinho obsoleto.

As enchentes no início do ano ainda deixam marcas por aqui. Observando a cidade, fica a impressão de que não tarda a acontecer mais uma.

Blumenau não é uma cidade turística. É uma cidade industrial, como Caxias do Sul ou Volta Redonda. Arrumadinha, mas perde feio para Gramado ou Campos de Jordão.

A cerveja Eisenbahn é tão cara aqui quanto no Rio, os copos são ainda mais caros. Espero que na loja da fábrica isso mude.

Onde tem comida alemã não tem cerveja local, e vice-versa.

Observei um padrão: quanto mais pobre o blumenauense, mais branco.

sábado, setembro 26, 2009

600 milhões de mesários

1 hora de ida e 1 hora na volta, da PUC-Rio para o cartório eleitoral na Miguel Lemos, apenas para entregar ao TRE um comprovante de que eu realmente fui submetido a uma cirurgia na quinta-feira que antecedeu o pleito do segundo turno das eleições de 2008, o que justifica minha ausência como presidente da mesa. Agora eu tenho o valioso atestado de quitação com meus deveres eleitorais, necessário para a admissão no meu novo emprego (também é o meu primeiro emprego de verdade).

Já que eu estava lá (e sabia que ao final do dia teria perdido mais de duas horas), tive vontade de encher o saco dos funcionários (tadinhos).

Perguntei quais são as probabilidades de ser convocado novamente, ao que fui respondido que não precisava me preocupar, a não ser que quisesse me voluntariar. Veio em seguida uma explicação de que o número de voluntários era quase insignificante. Imagino que seria maior este número se os estudantes secundaristas (que podem votar a partir dos 16) pudessem ser mesários, afinal isto faria uma boa diferença no currículo deles.

Infelizmente, para ser mesário é preciso ser criminalmente imputável. Afinal, mesários são criminosos eleitorais em potencial. Quem mais aceitaria trabalhar gratuitamente no domingo e levar desaforo para casa se não fosse para se vingar do estado? Isso me deu a idéia de perguntar (só por diversão) se ninguém nunca tinha pensado em remunerar os mesários, uma diária de salário mínimo já seria o bastante para criar fila de candidatos em todos os cartórios. A resposta foi a melhor: "As eleições já custam muito caro ao Estado do jeito que são hoje, não tem como aumentar ainda mais as despesas remunerando os mesários".

Na hora, pensei nos salários dos 7 709 novos vereadores que o Brasil passará a ter em 2012 ou mesmo antes disso. Este custo, se não me engano não pesa muito no orçamento dos cofres públicos. Se pesa, é porque mesmo assim o trabalho deles é valorizado. Já o trabalho do mesário parece não ser digno de pagamento. Fazendo as contas sem muito rigor: usando o custo de um vereador na Bahia por 2 anos (porque foi a quantia que eu encontrei, não sei se os de lá são mais caros ou mais baratos que a média), multiplicando por 7 709, daria para pagar uma diária de R$50,00 (um décimo do salário mínimo) a quase 600 milhões de brasileiros, se apenas existissem tantos brasileiros no mundo. Então imagino que ainda vale a pena sonhar com o fim da escravidão dos mesários.

Infelizmente, a desobediência civil dos mesários que se recusem a responder à convocação pode ser punida rigorosamente apenas negando-lhes a declaração de quitação dos deveres eleitorais. Então, minha única forma de contribuir com essa causa de um homem só é jogar um texto desses no blog de vez em quando, na esperança de que inspire alguém e de que um movimento mais sério se forme no futuro. Até que este dia chegue, reclamações de mesários serão vistas apenas como rabugentice de quem perdeu o domingo; e o trabalho do mesário será apenas uma espécie de "dever cívico" que alguns poucos infelizes devem prestar a todos os demais.

Pelo menos nos olhos dos não-mesários parece ser assim, e deve ser esta a razão para o TRE chamar sempre os mesmos: limitar o número e a visibilidade dos insatisfeitos. Se a motivação fosse garantir mesários mais experientes e competentes, a remuneração seria um meio muito mais eficaz de atingir este objetivo.

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quarta-feira, setembro 16, 2009

Expressões que me confundem

A estupidez está sempre na boca do povo. Não que eu queira que todos pensem exatamente como eu, mas algumas coisas geralmente aceitas como verdade não fazem o menor sentido.

  1. (Na/com a) Lanterninha: Se eu estivesse andando a noite com um grupo grande e apenas uma lanterna, sugeriria que fizéssemos uma fila. Quem estivesse na frente seguraria a lanterna, é claro. Portanto a lanterninha fica a cargo de quem está em primeiro, não em último lugar, não é óbvio?
  2. Jogo de soma zero: Quem trabalha com telecomunicações ou eletrônica digital sabe que se a soma é zero, é porque provavelmente não há erros. Jogo de soma zero, para mim, é síndrome nula. Algo que já foi verificado e corrigido.
  3. O que não mata, engorda: ok, não mata mas engorda, dá espinhas, flatulência... o que não te mata vai te atrapalhar de algum jeito. Não faz muito tempo que eu descobri que esta expressão, em geral, quer dizer que o que não mata te torna mais forte. Em inglês costumam colocar de uma forma mais lógica (o que não pode te matar te fortalece).
  4. Os incomodados que se mudem: Leve isso ao pé da letra e todos os avanços da humanidade se reduziriam a movimentos migratórios. Existe alguma lição valiosa de pragmatismo neste lema, mas em geral é entoado nas situações erradas por quem já esgotou todos os argumentos válidos em defesa própria.
  5. O que a lei não proíbe, a lei incentiva: Alguém realmente acredita nisso? É como se as pessoas se sentisse automaticamente compelidas a fazer tudo o que não é proibido. É como se todas as pessoas fora do estado do Kansas tivessem uma forte tendência à sodomia.
  6. Quando um não quer, dois não brigam: Esta eu acho particularmente cruel. Alguns pacifistas realmente acreditaram nisso até levarem a primeira surra.

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domingo, setembro 13, 2009

Piores Momentos do Ódio Racial



1915: Começa a tentativa de genocídio Armênio no Império Turco Otomano. Inicialmente 250 intelectuais e líderes comunitários são presos. Termina com a morte de mais de 1 milhão de vítimas. Foi a primeira das tentativas de limpeza étnica do século XX a ser amplamente reconhecida e documentada.




Segunda Guerra Mundial: Na Coréia sob o domínio japonês, prisioneiros Coreanos são submetidos como cobaias a experimentos médicos incluindo vivisecções, amputações, extração de orgãos e testes com armas químicas. Como todos sabem, o mesmo ocorre com prisioneiros judeus sob domínio da Alemanha Nazista






1948 - 1994: Na África do Sul, negros e brancos são proibidos de compartilhar os mesmos espaços públicos.

1955: Em Cleveland (Ohio, EUA), Rosa Parks, uma mulher negra, se recusa a ceder seu lugar no ônibus a passageiros brancos. O motorista chama a polícia e Rosa Parks é presa por desobediência civil.




1966: Tensões étnicas entre as etnias Igbo, Ioruba, Hausa e Fulani levam à guerra civil da Nigéria. Bloqueios de ajuda humanitária levam mais de um milhão de pessoas à morte por inanição em Biafra. A Cruz Vermelha se retira do conflito, médicos franceses voluntários se unem para chamar atenção internacional para a tragédia. Destes esforços, nasce a organização Médicos Sem Fronteiras, dedicada a levar ajuda humanitária a regiões marcadas por conflitos étnicos ou disputas territoriais.






2009: Numa campanha publicitária da Microsoft para o público polonês, o rosto de um homem negro é substituído pelo de um homem branco em uma montagem mal feita. Milhões de pessoas ao redor do mundo se sentem profundamente ofendidas.

Na falta de uma história mais trágica, é imprescindível encontrar racismo em algum lugar. Se for difamar a Microsoft então vale tudo.

Outros crimes horrendos contra a humanidade podem ser vistos nesta excelente reportagem da Spectrum. Mas é preciso ter coração forte.

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