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A quem interessar possa

sábado, novembro 28, 2009

Palavrões

Domingo passado fui ao Karaokê Indie da Drinkeria Maldita (que agora fica em Copacabana, não muito longe do Roxi). Enquanto umas meninas cantavam a música "This Love" do Maroon 5, notei que em uma parte da letra dizia no telão
"I tried my best to feed her appetite / To keep her c**** every night / So hard to keep her satisfied" (com os asteriscos)
Êpa! O único palavrão em inglês de meu conhecimento que comece com a letra "c" é o pior de todos. É uma obscenidade tão forte que nunca imaginaria vê-lo numa letra de música pop e nem vou escrever no meu blog, mas posso dizer que é um apelido machista para a vulva. A música tocou duas vezes na noite, a segunda vez quem cantou foram minha mulher e uma amiga. Aí eu tive a curiosidade de perguntar a elas qual palavra tinha sido censurada. Era "coming". A fonte que forneceu a letra julgou que a palavra coming era obscena demais para aparecer em um telão de karaokê e tacou os asteriscos para esconder uma palavra que, em princípio, nem pode ser considerada um palavrão.

Acabou que a censura teve o efeito de amplificar a obscenidade na minha cabeça, e de outros que tenham bom conhecimento de inglês. E se tivesse alguma criança anglófona presente e lesse "keep her coming every night", certamente imaginaria se tratar de "mantê-la vindo todas as noites", sem maldade alguma. Censura idiota.

Agora vou falar de auto-censura perfeitamente aceitável que não tem sido feita na mídia impressa. Os jornais do mundo estão indo a falência sem saber por quê, e para se defender, acusam a Internet de culpada de todos os males da Terra. No entanto, vejo o profissionalismo que se espera dos jornais sendo substituído pela irreverência e desleixo dos blogs.

Primeiro choque foi na Revista, publicação preguiçosa do Globo no domingo que eu nem sequer deveria ler (confesso que dou uma folheada, mea culpa). Primeiro publicaram uma frase que terminava em "dinheiro pra caralho!". Semana seguinte veio uma chuva de reclamações.

Depois, numa<\stroke> na introdução de uma entrevista com Selton Mello, uma jornalista escreveu "estava na cara que ele seria um puta ator. " Puta. Assim. Com todas as letras. Na edição de Domingo de um dos jornais mais lidos no Brasil. Devia ser uma puta jornalista para escrever desse jeito. No domingo seguinte tive a curiosidade de ver se tinha alguma reclamação de leitor, mas não encontrei nada. Os leitores preocupados com os bons costumes deviam ter percebido que a publicação não era pra eles mesmo. Tanto que depois apareceram uma ou outra reportagem sobre prostitutas, mas felizmente nenhuma delas usava palavras pejorativas para descrever as já tão maltratadas profissionais.

Eis que hoje leio na coluna do Arnaldo Bloch uma apreciação do filme biografia do Lula, e o autor<\stroke> colunista descreve o filme como um puta épico. Não é só isso, no mesmo parágrafo ele escreve a expressão "filho da ...", mas desta vez decidiu que era melhor esconder o palavrão.

Como é então? Puta em "puta épico" ou "puta ator" pode, mas em "filho da puta" tem que censurar? Isso foi decisão do autor ou do redator? Será que agora tem uma diretriz nas redações dizendo que a palavra "puta" só é obscena quando usada como xingamento? Eu já ouvi a palavra "porra" sendo pronunciada --- como substituto para a vírgula --- numa defesa de mestrado sem nenhuma cerimônia, então acho que as próximas gerações terão a missão de inventar palavrões novos capazes de causar o espanto que os antigos não causam mais.

Obs:
  1. Direto do dicionário, a palavra "piroca" é sinônimo de "careca". Neste contexto, uma criança dizendo "Mamãe, passa a mão na piroca do vovô!", seria perfeitamente normal.
  2. A palavra "coitado" tem sua origem na palavra "coito". Então, na prática, chamamos os outros de "fodidos" na frente de crianças sem a menor cerimônia.
  3. Nunca escrevi tantos palavrões neste blog. Será que eu também estou no desespero para conquistar mais leitores?
  4. Como o comentário do Rego me mostrou que o texto estava confuso, troquei algumas palavras para deixar mais claro quem escreveu o quê em qual situação.


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Mudando de assunto...

Por falar em jornalistas que parecem blogueiros, li esta semana, no jornal, a Cora Rónai dizendo que, para os indianos jogar lixo na rua é tradição, dos tempos em que todo o lixo era orgânico, fonte de alimento para os animais. Oh, que lindo!

Então tá: pros indianos é tradição milenar, só pro brasileiro é porcaria inaceitável. Afinal, o Brasil é um país novo, nossos hábitos foram todos criados depois da invenção do plástico. Ou então os brasileiros só começaram a jogar lixo na rua recentemente.


Alguém me explica por que eu continuo lendo essas porcarias? Eu gosto de reclamar mesmo.

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